segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Diz o Aviso que eu Li


Estava eu e um amigo cozinheiro ontem num boteco tomando cerveja e discutindo um projeto, se não quando aparecem os fiscais da vigilância sanitária com tom ameaçador em franca campanha eleitoral.

Sabíamos que o apoio do nosso querido governador ao atual prefeito na época das eleições municipais teria um custo alto, pois ele foi contra o próprio partido apoiando outro candidato, mais fantasiar funcionários municipais com um jalequinho ridículo que mais parece de agente controlador do mosquito da dengue, com o símbolo de sua campanha estampado e fazê-los perambular por bares e restaurantes lotados já é demais.

No bar devidamente sinalizado ninguém estava fumando e mesmo assim o coitado do proprietário que paga os imorais impostos comprometendo a saúde financeira de sua pequena empresa, foi ameaçado de ser multado porque a sinalização não estava de acordo com a lei.

Da minha mesa pude ouvir o argumento da simpática fiscal e passei os olhos por todo o bar e vi pelo menos 10 avisos de tamanhos diferentes uns até grandes demais e fiquei sem entender. Pois bem assim que foram embora os cabo eleitorais fui ao dono do estabelecimento perguntar onde ele tinha errado e a resposta me dá ódio até agora, isso mesmo ÓDIO. O erro do descuidado comerciante foi usar placas com o símbolo internacional de proibido fumar e não o criado pelo publicitário que já articula a candidatura de nosso ilustre governador ao cargo Máximo de nossa nação.

Acho que por passar anos na frente de um fogão devo ter ficado de miolo mole porque não entendo a lógica, se o planeta inteiro inclusive nós Paulistas conhecemos á muitos anos o símbolo internacional de proibido fumar, com que intenção nosso letrado governante acha de criar um diferente, alias tem clara inspiração no outro.

A resposta é uma só usar isso em beneficio próprio, que tipo de pais é este que poucas as vezes que um político faz algo de útil e bom para a população ele quer alardear e engrandecer a sua atitude, como se não fosse obrigação.

Meu digníssimo governador eu votei no senhor por isso tenho a liberdade para te contar que você ganha pra isso e não está fazendo nada a mais que sua obrigação, por favor libere as placas que todo mundo já conhece antes que o Sr. perca mais votos porque o meu já perdeu e não obrigue pessoas com curso superior na maioria médicos, veterinários entre outros a usar esse jaleco com a clara intenção de vangloriar-se por trabalhar para o bem do povo.

Um Paulista envergonhado agradece.

domingo, 9 de agosto de 2009

Contando Ninguém Acredita 2

Certa vez voltando pra casa com meu filho do meio, para fugir do transito que a comemoração da vitoria de um time causou na paulista resolvi ir pela rua Augusta.
Perto de atravessar a Paulista para entrar nos jardins avistamos um Jippe que balançava muito, na hora pensei “que festa”, nisso meu filho diz:
- Pai tem uns cinco caras espancando uma mulher dentro daquele carro.
- Cala a boca Rodrigo tão é fazendo uma festinha.
- Pai eu vi tão batendo de mão fechada.
Por um minuto me passou pela cabeça a noticia do dia seguinte “prostituta é linchada na Augusta em frente a cozinheiros ”, caramba vou voltar.
Meio sem pensar dei um cavalo de pau parei atrás do Jippe e desci, imaginando como faria para que cinco caras loucos de álcool, raiva e sabe-se lá mais o que me ouvissem, abri a porta de tras do Jippe e gritei: - Deixa a moça sair, AGORA.
Até hoje não sei como eles obedeceram, mas a mulher pulou direto do Jippe pro meu colo e se agarrou feito um filhote de coala.
- Droga como vou me defender desses caras com ela pendurada em mim?
Por sorte eles arrancaram o Jippe e eu fiquei com a donzela pendurada no meu pescoço e as pernas entrelaçadas na minha cintura, nisso ela começa a falar no meu ouvido repetidamente que era seu aniversário e eu tinha salvo sua vida.
Enquanto ela passava sua mão pelos meus cabelos e me beijava o pescoço eu imaginava onde estaria aquela mão e aquela boca antes de começar o espancamento.
- Tudo bem moça não foi nada, fica em paz.
Ela estava tão alterada quanto os homens do Jippe e foi difícil me desvencilhar dela.
Enquanto isso meu filho do outro lado da rua gritava:
- Pai larga essa vagabunda e vamos pra casa.
Caramba só to aqui porque ele me fez voltar e agora fica gritando, bom me livrei da moça tirando dela a promessa de que iria direto pra casa sem mais clientes pela noite.
Em casa meu filho conta pros irmãos:
- O papai é treta ficou agarrado numa mulher lá na Augusta e eu com fome querendo vir pra casa.

Por motivos óbvios posto receita de Linguine Allá Putanesca

LINGUINE ALLÁ PUTANESCA

Ingredientes:
400g de Linguine
8 tomates sem pele e sem sementes cortado em cubinhos (concasse)
50g de files de anchovas picadas
100g de azeitonas pretas sem caroço
50g de alcaparras escorridas e lavadas
3 dentes de alho amassados
5g de peperontine (na falta use pimenta calabresa)
30 ml de azeite
Um bom punhado de salsinha fresca picada
1 pitada de orégano fresco

Preparo:
Em uma frigideira pré aquecida refogue o alho em azeite e junte os tomates e cozinhe até que murchem.
Enquanto isso cozinhe o linguine AL dente.
Some ao molho as anchovas, as azeitonas, o orégano e cozinhe por mais dois minutos, junte as alcaparras e a salsinha corrija o sal.
Coloque a massa escorrida na frigideira com o molho e salteie até ficar homogênea.
Sirva em prato fundo.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O RIO é Aqui

Eu pessoalmente adoro o Rio de Janeiro, gosto do povo, da praia e claro das belezas naturais.
A vinte e muitos anos atrás eu e dois amigos resolvemos fazer a Rio-Santos de mochila nas costas, tem coisas dessa viagem que me lembro com tanta clareza que parece que foi ontem.
A primeira metade da viagem foi no quintal de casa, praias que eu estava muito acostumado a ir como Camburi, Maresias e o Felix em Ubatuba.
O combinado é que não teríamos roteiro nem tempo pré determinado, enquanto estivesse bom íamos ficando mas a partir de Laranjeiras descortinou-se um Brasil que o Paulista aqui não conhecia.
Uma noite em Paraty que de anormal só teve o fato de ninguém ter dormido sozinho, além de conhecermos a maravilhosa Kibana, uma pinga de banana que pensando bem deve ser uma droga mas para um moleque de 17 anos parecia puro malte.
Chegamos a Angra dos Reis a noitinha e com bastante fome, paramos em uma democrática pastelaria que nos alimentou muito bem para o pouco dinheiro que tínhamos. Como estávamos com barracas e não dava pra acampar no meio da cidade resolvemos ficar por ali até o amanhecer, essa nossa idéia não vingou, em menos de meia hora um grupo perguntou se estávamos sem ter onde dormir e nos convidou para passar a noite na casa deles, só no Rio mesmo, aqui em São Paulo teríamos dormido na porta da pastelaria.
No dia seguinte depois do café, estrada rumo a Copacabana em Rio de Janeiro City.
Na primeira noite dormimos na praia e quando nasceu o sol fomos a uma padaria onde tomamos café, banho e ainda guardamos nossas mochilas pra buscar depois.
Antes do meio dia conhecemos duas meninas e fomos almoçar na casa de uma delas talvez o melhor empadão que comi na vida, o irmão da segunda estava indo pra Búzios ser juiz de futebol nos Jogos de verão Búzios 1983 e perguntou se não queríamos ser "sumuleiros" depois descobri que só tínhamos que preencher a súmula do jogo.
Meus amigos voltaram no final do verão, eu arrumei emprego numa pousada ficando um ano e meio em Búzios, lá vi pela primeira vez um fogão industrial.
Conto esta historia não com saudosismo mas para explicar o porquê da minha paixão pelo Rio e pelos cariocas e a maior invenção deles que é juntar os amigos em volta de uma mesa cheia de copos de chopp e petiscos.
Eu adoro o espírito de boteco e lamento que em São Paulo este clima característico esteja ficando distorcido, agora temos um monte de botecos fakes, metidos a besta e com o mesmo cardápio, caramba se é pra repetir o cardápio não precisa de tantos.
E o pior é a deselegante picanha na chapa, você convida a moça pra sair e ela passa 4 horas cuidando dos cabelos com cremes que nem sabe direito pra que servem, ai o lobo mau manda vir a picanha e literalmente defuma a moça e de quebra as moças das mesas ao lado.
Mais graças a deus temos legítimos representantes dos botecos cariocas como o Veloso que alias roubou o nome de um irmão carioca que não existe mais e tem as maravilhosas caipirinhas do Sousa, o Valadares e seus petiscos diferentes como o testículo de galo, o Pé pra fora que além de boa comida tem a cerveja mais gelada de São Paulo (até a última) e o Frangó pelo seu frango a passarinho e a variedade de rótulos de cerveja.
Que bom que posso me sentir carioca de vez em quando.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Você é o que Você Come

Esta famosa frase nasceu nos anos 70 na Califórnia junto com o LSD e a onda vegetariana que veio da Índia.
Nada que venha deste pitoresco movimento tem relevância para a gastronomia, mesmo porque a macrobiótica não esta ligada ao movimento Hippe e sim a um japonês chamado Ohsawa que morreu uma década antes.
Mas a frase em si é boa e sempre que filhos ou amigos querem comer na rua eu faço uso dela, já caiu no domínio popular.
Toda vez que alguém me conta do aparecimento de um ambulante que vende o melhor cachorro quente do mundo ou o Yakissoba na esquina da Paulista com a rua X que é de comer rezando, eu peço para que o indivíduo pare ao lado do Wok e fique lá por 3 horas e depois passe um lenço umedecido no rosto, com certeza esta pessoa vai perceber o que esta indicando para os amigos e parentes (lembre-se que sogra não se encaixa nestes dois grupos), sem falar que a falta de água corrente e potável dificulta em muito a pouca higiene que o tal ambulante pretenda ter.
Meu filho mais velho que come até churrasco grego, diz que estou perdendo muito sendo tão fresco, já o levei umas três ou quatro vezes ao medico para tratar os bichos de barriga.
No caso de vans ou Kombis as condições de higiene melhoram um pouco, ai você só tem que se preocupar com a qualidade da comida e com o antiácido.
Esta semana depois de muita falação sobre o Rolando Lero fui convencido a experimentar, não vou fazer critica gastronômica porque tenho que correr até a farmácia para comprar o antiácido que esqueci.

Posto receita de quiche de alho poró para ficar pronta em casa pra quando der aquela fominha.

QUICHE DE ALHO PORÓ



Ingredientes:
Massa
500g de farinha de trigo
300g de manteiga sem sal gelada em cubinhos
1 ovo
10 g de sal
1 colher das de chá de açúcar
20 ml de leite

Recheio
500 ml de creme de leite fresco
5 ovos
1 cebola pequena cortada finamente
1 Alho poro cortado finamente
30g de manteiga sem sal
120g de queijo Gruyère
Nós moscada
Sal a gosto

Preparo:
Massa
Faça um monte com a farinha de trigo e abra um buraco no meio, despeje o ovo o sal o açúcar e a manteiga no centro e comece a misturar com os dedos, dependendo do dia você terá que adicionar mais ou menos leite (em dias muito úmidos espirro com os dedos) misture até ficar homogêneo, não deixe que sua mão aqueça demasiadamente a massa.
Embrulhe em filme plástico e leve a geladeira por 30 minutos, forre uma forma de quiche.


Recheio
Em uma frigideira derreta a manteiga e refogue a cebola e o alho poro e espalhe sobre a massa, polvilhe o queijo Gruyère sobre o refogado.
Bata os ovos com o creme de leite até mudar a textura, tempere com sal e noz moscada e despeje em cima da massa. Asse em forno pré aquecido a 180º C até que fique dourada.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Quando a Esmola é muita o Santo Desconfia

De uns dias para cá, aonde vou ganho presente de alguém, não que esteja reclamando eu adoro ganhar presentes, mas vocês tem que concordar que é estranho.
Não sou o cara mais simpático do mundo, muito pelo contrario tendo a ser polémico e do contra, pra se ter uma idéia não acho que os crimes do Collor tenham sido piores do que os de qualquer outro presidente.
Sinceramente se ele caiu por ter ganhado um Fiat e reformado o jardim eu quero ele de volta, porque o povo do PT já gastou bem mais.
Bom mais voltando aos presentes, ontem ganhei uma jaqueta de um grande amigo e mestre, que por sua vez a ganhou do mestre dele.
Você quer saber por que estou tão feliz com uma jaqueta de terceira mão?
Simples é como uma katana que passa de pai para filho ou as facas que sempre presenteio meus cozinheiros é uma forma de dizer que aquela pessoa já obteve o conhecimento que se pretendia passar e esta pronta para um passo maior e cá entre nos, reconhecimento é bom e todo mundo gosta, se vier com um aumento então, se torna um flash do Nirvana.
Ta bom dou outro exemplo, é como se a Juliana Paes saísse espalhando pelo Rio de Janeiro inteiro que você foi a melhor transa da vida dela, o problema seriam os gastos com litros e litros de catuaba, ostras, amendoim e mesmo assim não sei não.
Aos amigos que quiserem continuar me presenteando eu agradeço de antemão, um presente sempre é uma forma de mostrar o quanto você considera a outra pessoa.

Tocado pelo repentino reconhecimento que tenho obtido, posto um clássico do meu repertório de sobremesas.

TARTELETTE DE CHOCOLATE


Ingredientes:
Massa
100g de açúcar
1 ovo
25g de farinha de amêndoas
225g de farinha de trigo
100g de manteiga gelada em cubinhos


Recheio
80 ml de creme de leite fresco
2 colheres das de chá de glicose de milho
150g de chocolate meio amargo picado
40g de manteiga gelada em cubinhos


Modo de preparo:
Massa
Em uma tigela bata o ovo com a farinha de amêndoas e o açúcar e reserve.
Em outra tigela misture a farinha e a manteiga até obter uma farofa.
Junte o conteúdo das duas tigelas e misture até ficar uma massa homogénea, embrulhe em filme plástico e leve a geladeira por 30 min.
Pré aqueça o forno a 150C. Abra a massa com um rolo e monte em seis forminhas para tartelettes ou mini quiches, asse por 15 min ou até dourarem.


Recheio
Em uma tigela coloque o chocolate picado e os cubos de manteiga.
Leve ao fogo o creme de leite fresco com a glicose de milho, assim que levantar fervura despeje na tigela com o chocolate e misture com pão duro até que não sobre nem um pedacinho de manteiga aparente.
Recheie as tartelettes.
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