segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Conforto

1:30 da madruga e meu celular resolve fazer o sinal de que recebeu mensagem de texto.
Eu detesto mensagem de texto, caramba se vai usar o maldito telefone então me liga.
Bom desta vez era por um bom motivo, a mãe de uma sempre presente amiga faleceu depois de um ano e meio lutando contra uma doença.
Incrível como as pessoas se portam em velório, quem ta sofrendo ta sofrendo e pronto, mas no entorno tem de tudo, os que gostam muito dos que estão sofrendo e tentam minorar sua dor, umas seis ou sete tias distantes que só se encontram nestas ocasiões e aproveitam pra colocar a conversa em dia, são essas tias que falam os clichês de velório:
- Tão moço e com tanta vida pela frente.
- Não sei o que vai ser do fulano sem ela.
- Deixou a família com uma mão na frente e outra atrás “ou o contrário”.
- Morreu como um passarinho.
- Com tanta gente ruim por ai, logo ela se vai.
Esta última um verdadeiro clássico, velório sem esta frase não é velório, eu proibiria o sepultamento caso um familiar não prenunciasse esta frase, o coveiro em tom fúnebre avisaria a família da quebra protocolar.
Não estou desdenhando acho essas tias importantíssimas, são elas que buscam água, café e se encarregam de contar a vida inteira do defunto.
Bom ai tem os amigos dos parentes, os amigos dos amigos dos parentes e um ou dois parentes que normalmente são os que puxam as piadas.
Eu gosto de velório de filme, aqueles que os familiares recebem as pessoas em casa e servem muita comida, não por ser cozinheiro mas acho que é uma forma de ocupar a cabeça de quem esta sofrendo o que ameniza a dor, imagina fazer comida pra 40 pessoas te digo que dá trabalho.
Querida amiga brinco porque sou assim, que Deus ilumine seus caminhos e tua vida.
Posto receita de Madelleines de limão


Ingredientes:
250g de manteiga sem sal derretida
250g de açúcar
250g de farinha de trigo
5 ovos
15g de fermento químico em pó
Suco e raspas de um limão grande

Modo de preparo:
Bata os ovos com o açúcar até que o açúcar incorpore, misture aos poucos a farinha com o fermento e junte a manteiga, o suco e raspas do limão.
Enforme em forma para madelleines e asse em fogo pré aquecido a 180º C até que dourem.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O Nome da Rosa

O mundo já se curvou á criatividade do povo brasileiro, não vou falar de nossos músicos como Tom Jobim ou João Gilberto nem dos escritores Jorge Amado e Paulo Coelho que sabemos serem idolatrados lá fora, falo do brazuquinha comum que fez escola de criatividade.
Nós tanto fizemos na Inglaterra pra descolar uns eurozinhos que agora as Inglesas vêm ao Rio tentar aprender como se faz, mais parece que ainda são bem amadoras no quesito malandragem. O brasileiro testa sua criatividade o tempo todo, quase como se fosse um jogo, um exemplo clássico são os nomes, sempre criamos nomes incríveis para nossos filhos somos tão experts nisso que os mais ousados se lançam ao desafio de nomear os quinze filhos todos com a mesma letra inicial, minha querida Raimunda a escudeira da minha avó teve 200 ou 300 irmãos e todos com R, para aquecer Ricardo e Rosangela, em seguida Raimunda e Rosaura, ai começamos a perceber a inventividade, os caçulas Romoaldo e Raulindo e finalmente a temporão Rosineide.
Quando penso nos Portugueses que são todos Joaquins e Manoeis chego a lacrimejar de emoção vendo nosso sofrido povo se destacando ante as grandes nações do mundo, aquele famoso livro Francês sobre nomes se editado com nomes brasileiros seria “A grande enciclopédia Brasileira dos nomes” e a exemplo da publicação estrangeira cada nome traria seu significado ou a falta dele e para completar o calculo das letras Segundo renomada numeróloga (olha ai de novo a criatividade), compêndio maior e mais completo que o original.
Nos inventamos o avião, a bazuca, a mariola, o praliné gigante (que alguns chamam de pé de moleque) e mais recentemente o invejado carro a álcool.
Somos ou não os maiorais sobre este devastado e aquecido planeta?
Posto Receita de minha autoria,  Gnocchi de Banana da terra.

GNOCCHI DE BANANA DA TERRA
Ingredientes:
260g de batatas rosa (Asterix)
1 folha de louro
2 dentes de alho inteiros
10 grãos de pimenta do reino
15g de sal grosso
260g de bananas da terra maduras
1 pau de canela
4 cravos da índia
120g de farinha de trigo
50g de amido de milho
55g de ovo (1 ovo inteiro)
50 g de queijo parmesão ralado
10g de sal
100 ml de manteiga de garrafa

Modo de preparo:
Cozinhe as batatas com casca em água fervente com o louro, os dentes de alho, a pimenta do reino em grãos e o sal grosso. E assim que a casca começar a rachar escorra e com a ajuda de um pano de prato descasque as batatas. Passe pelo espremedor 2 vezes e reserve.
Descasque as bananas, corte em rodelas e cozinhe em água
fervente com os cravos e o pau de canela, em seguida passe pelo espremedor.
Junte os dois purês e some 90g de farinha, o amido de milho, o ovo, o queijo parmesão e o sal e misture até que fique homogêneo.
Use o restante da farinha para polvilhar a mesa onde você vai enrolar a massa em cobrinhas e cortar em pedaços pequenos, e deslize sobre um garfo com a ajuda do polegar.
Cozinhe em água fervente até que 3 ou 4 Gnocchis subam a tona, escorra e salteie rapidamente em manteiga de garrafa.

Obs.: Este prato serve como acompanhamento para carnes picantes ou bem temperadas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Diz o Aviso que eu Li


Estava eu e um amigo cozinheiro ontem num boteco tomando cerveja e discutindo um projeto, se não quando aparecem os fiscais da vigilância sanitária com tom ameaçador em franca campanha eleitoral.

Sabíamos que o apoio do nosso querido governador ao atual prefeito na época das eleições municipais teria um custo alto, pois ele foi contra o próprio partido apoiando outro candidato, mais fantasiar funcionários municipais com um jalequinho ridículo que mais parece de agente controlador do mosquito da dengue, com o símbolo de sua campanha estampado e fazê-los perambular por bares e restaurantes lotados já é demais.

No bar devidamente sinalizado ninguém estava fumando e mesmo assim o coitado do proprietário que paga os imorais impostos comprometendo a saúde financeira de sua pequena empresa, foi ameaçado de ser multado porque a sinalização não estava de acordo com a lei.

Da minha mesa pude ouvir o argumento da simpática fiscal e passei os olhos por todo o bar e vi pelo menos 10 avisos de tamanhos diferentes uns até grandes demais e fiquei sem entender. Pois bem assim que foram embora os cabo eleitorais fui ao dono do estabelecimento perguntar onde ele tinha errado e a resposta me dá ódio até agora, isso mesmo ÓDIO. O erro do descuidado comerciante foi usar placas com o símbolo internacional de proibido fumar e não o criado pelo publicitário que já articula a candidatura de nosso ilustre governador ao cargo Máximo de nossa nação.

Acho que por passar anos na frente de um fogão devo ter ficado de miolo mole porque não entendo a lógica, se o planeta inteiro inclusive nós Paulistas conhecemos á muitos anos o símbolo internacional de proibido fumar, com que intenção nosso letrado governante acha de criar um diferente, alias tem clara inspiração no outro.

A resposta é uma só usar isso em beneficio próprio, que tipo de pais é este que poucas as vezes que um político faz algo de útil e bom para a população ele quer alardear e engrandecer a sua atitude, como se não fosse obrigação.

Meu digníssimo governador eu votei no senhor por isso tenho a liberdade para te contar que você ganha pra isso e não está fazendo nada a mais que sua obrigação, por favor libere as placas que todo mundo já conhece antes que o Sr. perca mais votos porque o meu já perdeu e não obrigue pessoas com curso superior na maioria médicos, veterinários entre outros a usar esse jaleco com a clara intenção de vangloriar-se por trabalhar para o bem do povo.

Um Paulista envergonhado agradece.

domingo, 9 de agosto de 2009

Contando Ninguém Acredita 2

Certa vez voltando pra casa com meu filho do meio, para fugir do transito que a comemoração da vitoria de um time causou na paulista resolvi ir pela rua Augusta.
Perto de atravessar a Paulista para entrar nos jardins avistamos um Jippe que balançava muito, na hora pensei “que festa”, nisso meu filho diz:
- Pai tem uns cinco caras espancando uma mulher dentro daquele carro.
- Cala a boca Rodrigo tão é fazendo uma festinha.
- Pai eu vi tão batendo de mão fechada.
Por um minuto me passou pela cabeça a noticia do dia seguinte “prostituta é linchada na Augusta em frente a cozinheiros ”, caramba vou voltar.
Meio sem pensar dei um cavalo de pau parei atrás do Jippe e desci, imaginando como faria para que cinco caras loucos de álcool, raiva e sabe-se lá mais o que me ouvissem, abri a porta de tras do Jippe e gritei: - Deixa a moça sair, AGORA.
Até hoje não sei como eles obedeceram, mas a mulher pulou direto do Jippe pro meu colo e se agarrou feito um filhote de coala.
- Droga como vou me defender desses caras com ela pendurada em mim?
Por sorte eles arrancaram o Jippe e eu fiquei com a donzela pendurada no meu pescoço e as pernas entrelaçadas na minha cintura, nisso ela começa a falar no meu ouvido repetidamente que era seu aniversário e eu tinha salvo sua vida.
Enquanto ela passava sua mão pelos meus cabelos e me beijava o pescoço eu imaginava onde estaria aquela mão e aquela boca antes de começar o espancamento.
- Tudo bem moça não foi nada, fica em paz.
Ela estava tão alterada quanto os homens do Jippe e foi difícil me desvencilhar dela.
Enquanto isso meu filho do outro lado da rua gritava:
- Pai larga essa vagabunda e vamos pra casa.
Caramba só to aqui porque ele me fez voltar e agora fica gritando, bom me livrei da moça tirando dela a promessa de que iria direto pra casa sem mais clientes pela noite.
Em casa meu filho conta pros irmãos:
- O papai é treta ficou agarrado numa mulher lá na Augusta e eu com fome querendo vir pra casa.

Por motivos óbvios posto receita de Linguine Allá Putanesca

LINGUINE ALLÁ PUTANESCA

Ingredientes:
400g de Linguine
8 tomates sem pele e sem sementes cortado em cubinhos (concasse)
50g de files de anchovas picadas
100g de azeitonas pretas sem caroço
50g de alcaparras escorridas e lavadas
3 dentes de alho amassados
5g de peperontine (na falta use pimenta calabresa)
30 ml de azeite
Um bom punhado de salsinha fresca picada
1 pitada de orégano fresco

Preparo:
Em uma frigideira pré aquecida refogue o alho em azeite e junte os tomates e cozinhe até que murchem.
Enquanto isso cozinhe o linguine AL dente.
Some ao molho as anchovas, as azeitonas, o orégano e cozinhe por mais dois minutos, junte as alcaparras e a salsinha corrija o sal.
Coloque a massa escorrida na frigideira com o molho e salteie até ficar homogênea.
Sirva em prato fundo.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O RIO é Aqui

Eu pessoalmente adoro o Rio de Janeiro, gosto do povo, da praia e claro das belezas naturais.
A vinte e muitos anos atrás eu e dois amigos resolvemos fazer a Rio-Santos de mochila nas costas, tem coisas dessa viagem que me lembro com tanta clareza que parece que foi ontem.
A primeira metade da viagem foi no quintal de casa, praias que eu estava muito acostumado a ir como Camburi, Maresias e o Felix em Ubatuba.
O combinado é que não teríamos roteiro nem tempo pré determinado, enquanto estivesse bom íamos ficando mas a partir de Laranjeiras descortinou-se um Brasil que o Paulista aqui não conhecia.
Uma noite em Paraty que de anormal só teve o fato de ninguém ter dormido sozinho, além de conhecermos a maravilhosa Kibana, uma pinga de banana que pensando bem deve ser uma droga mas para um moleque de 17 anos parecia puro malte.
Chegamos a Angra dos Reis a noitinha e com bastante fome, paramos em uma democrática pastelaria que nos alimentou muito bem para o pouco dinheiro que tínhamos. Como estávamos com barracas e não dava pra acampar no meio da cidade resolvemos ficar por ali até o amanhecer, essa nossa idéia não vingou, em menos de meia hora um grupo perguntou se estávamos sem ter onde dormir e nos convidou para passar a noite na casa deles, só no Rio mesmo, aqui em São Paulo teríamos dormido na porta da pastelaria.
No dia seguinte depois do café, estrada rumo a Copacabana em Rio de Janeiro City.
Na primeira noite dormimos na praia e quando nasceu o sol fomos a uma padaria onde tomamos café, banho e ainda guardamos nossas mochilas pra buscar depois.
Antes do meio dia conhecemos duas meninas e fomos almoçar na casa de uma delas talvez o melhor empadão que comi na vida, o irmão da segunda estava indo pra Búzios ser juiz de futebol nos Jogos de verão Búzios 1983 e perguntou se não queríamos ser "sumuleiros" depois descobri que só tínhamos que preencher a súmula do jogo.
Meus amigos voltaram no final do verão, eu arrumei emprego numa pousada ficando um ano e meio em Búzios, lá vi pela primeira vez um fogão industrial.
Conto esta historia não com saudosismo mas para explicar o porquê da minha paixão pelo Rio e pelos cariocas e a maior invenção deles que é juntar os amigos em volta de uma mesa cheia de copos de chopp e petiscos.
Eu adoro o espírito de boteco e lamento que em São Paulo este clima característico esteja ficando distorcido, agora temos um monte de botecos fakes, metidos a besta e com o mesmo cardápio, caramba se é pra repetir o cardápio não precisa de tantos.
E o pior é a deselegante picanha na chapa, você convida a moça pra sair e ela passa 4 horas cuidando dos cabelos com cremes que nem sabe direito pra que servem, ai o lobo mau manda vir a picanha e literalmente defuma a moça e de quebra as moças das mesas ao lado.
Mais graças a deus temos legítimos representantes dos botecos cariocas como o Veloso que alias roubou o nome de um irmão carioca que não existe mais e tem as maravilhosas caipirinhas do Sousa, o Valadares e seus petiscos diferentes como o testículo de galo, o Pé pra fora que além de boa comida tem a cerveja mais gelada de São Paulo (até a última) e o Frangó pelo seu frango a passarinho e a variedade de rótulos de cerveja.
Que bom que posso me sentir carioca de vez em quando.
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